quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Noite

A noite, antes tão segura e acolhedora, revelava-se agora repleta de perigos e aterrorizadora. Andar sozinha adivinhava-se um sacrifício e dava por mim a olhar para trás para me certificar que ninguém me seguia. Estava assustadíssima, pois não fazia ideia do que esperar. Estava habituada a conhecer pormenorizadamente todos os casos com que me defrontava diariamente, pelo que, desta vez, sem saber aquilo que iria acontecer, sentia-me como um peixe fora de água. Não conseguia respirar confortavelmente e sentia o pânico muito prestes a rebentar. Odiava sentir-me tão vulnerável. Por norma, não era isso que costumava acontecer.
De repente, a minha atenção desviou-se para os audíveis movimentos captados no meu campo de visão. Alerta, parei, esperando e observando com cautela, desejando que fosse algum animal à procura de alimento, ou um movimento de algum arbusto provocado pelas fortes ventanias que se faziam sentir nesse noite. Fosse o que fosse, não podia baixar a guarda. Por isso, esperei.
Esperei durante dez minutos. Achava melhor jogar pelo seguro. Mais valia prevenir do que remediar. Só quando tive a certeza de que não corria qualquer perigo é que regressei ao meu caminho, andando agora mais rapidamente. Era aconselhável encontrar um abrigo o mais rápido possível. A noite era perigosa, e eu sabia-o, agora mais do que nunca. Talvez fosse mais aconselhável caminhar apenas durante o dia. Provavelmente, iria demorar mais tempo até chegar ao locar da missão, mas mais valia chegar atrasada do que não chegar de todo.



É melhor que estudar BCM.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

UM

E cá estou eu, na belíssima cidade de Braga, sem saber muito bem como vim cá parar.
Uma nova etapa com coisas completamente diferentes daquilo que eu vivi até agora. Já tive a honra de vivenciar a tão aclamada tradição que é a Praxe. Só por aqui já posso dizer que vivi alguns momentos bastantes peculiares. Estou agora num sítio onde não conheço ninguém e que me é quase desconhecido. Nunca fui muito de vir a Braga. Não era uma cidade que costumavamos visitar. No entanto, a Universidade do Minho parecia-me uma boa opção, portanto não posso dizer que não fiquei feliz quando fui à minha caixa de correio electrómico e li
Resultado: Colocada
Estabelecimento: [7010] Universidade do Minho - Escola Superior de Enfermagem
Curso: [9500] Enfermagem


Estou a começar a adaptar-me. Mas mal posso esperar por deixar de ser caloira. Quer me parecer que vou andar com o coração nas mãos até ao Enterro da Gata. Enfim. Vida de Caloiro. Afinal de contas, somos totalmente insignificantes neste mundo.

O que se pode fazer? Pode cantar-se.

Nós, os Enfermeiros
Os Enfermeiros são os maiorais
E na hora da doença
É de enfermeiros que vós precisais.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

E.

Quando perdemos alguém que nos é querido, tudo se torna difícil.
Bem, difícil não é a palavra correcta para descrever este momentos. O sentimento é totalmente absurdo, impossível, inexplicável. Alguém estava ali e, de repente, deixou de estar. É, simplesmente, insuportável.

Quando é alguém de quem nós gostamos muito a passar por todo este processo, os sentimentos são transmissíveis. Porque a dor que nos ultrapassa pelos que gostamos é enorme e indescritível. Vê-los sofrer é inaceitável.
E a angústia está sempre presente.
Sempre.

domingo, 1 de agosto de 2010

?

Que giro. Amanhã candidato-me ao ensino superior.


Ah?

sábado, 24 de julho de 2010

18

18 primaveras.
Já posso dar sangue.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Exogenesis Symphony Part 3

Muse sempre foi uma banda que me chamou a atenção. Assim como a música clássica. É um bom refúgio quando nos encontramos mais em baixo. Pelo menos, para mim. Não sei muito bem como, mas Beethoven dá-me forças para erguer a cabeça. É uma fonte de energia mais poderosa que o próprio Sol.
Daí ter ficado tão positivamente surpreendida quando assisti à junção destas duas maravilhas. Exogenesis Symphony Part 3 é a prova perfeita de que é possível criar música fantástica a partir de vários géneros. Muse, com o seu Rock Alternativo, neste último álbum, deram-me algumas emoções que jamais imaginei poder sentir.
É mais que apenas um entretenimento. É uma experiência absolutamente surreal que me transporta directamente para aquilo em que o compositor está a pensar. Muitas vezes, dou por mim num estado de transe muito agradável, porque todas as oportunidade para deixar, nem que seja por breves minutos, a realidade em que vivemos, são muito bem-vindas.
A letra, tão simples, mas com tanto significado. E a forma como o piano está conjugado com tudo o resto é, certamente, algo de louvar. Devo confessar que as lágrimas me escorreram pela cara quando a ouvi pela primeira vez. Foi como um choque, agradável, mas um choque. Vou demorar algum tempo a recuperar.

sábado, 3 de julho de 2010

Medo

Quando nos perdemos, e vamos parar a um lugar que nos é totalmente desconhecido, qual é o primeiro sentimento que nos assola a mente? O medo.
O medo está presente em todas as fases da nossa vida, sendo que algumas vezes temos a sorte de conseguir controlá-lo. Todos temos os nossos, por muito que os tentamos esconder. Ainda há aqueles para quem o medo é sinónimo de fraqueza. Deixem-se disso. Ter medo é bom. Faz-nos sentir vivos.
Eu tenho medo de aranhas e da água. Quer dizer, da água escura, algo que nem eu entendo muito bem. De qualquer maneira, assusto-me com estas coisas. É algo que não consigo evitar, por muitas vezes que me digam o quão pateta estou a ser por ir dormir para o sofá quando vejo uma aranha no lado de fora da janela do meu quarto. Fobias, o que se pode fazer? Enfim, o medo está sempre presente, mesmo que, muitas vezes, eu não me aperceba disso.
No entanto, posso confiantemente afirmar que o medo não faz parte do leque de sentimentos que me estão a inundar. Um misto de curiosidade com alguma adrenalina e um pouco de emoção. Sim, aproxima-se a isto. Porque, pela primeira vez na vida, o escuro não me assusta. Muito pelo contrário. Sinto uma enorme vontade de me aventurar pelo desconhecido, sem querer saber se lá posso encontrar um grande lago ou uma tarântula furiosa. Pela primeira vez em tanto tempo, sinto que posso respirar.