sexta-feira, 13 de março de 2009

Fringe


Sexta-Feira, normalmente associada a longas tardes a ver Fringe e a comer tostas mistas. Hoje não foi excepção, pois está claro. Com muito ou pouco queijo, as minhas são as melhores.


Detesto queijo. Todos os tipos, desde o mal cheiroso até o todo esburacado e, no entanto, sou apaixonada pela mistinhas quentinhas cheinhas de queijinho. Vá-se lá perceber.


Quarto dia consecutivo com Matemática e quase dei em doida. Duas é mau, três é pior, quatro.... quatro não há descrição possível. E ainda por cima funções.

Que estou eu a fazer em científicos, pergunto.



Vou ao circo. A um espectáculo aquático, para ser mais correcta. "Tubarões vivos, únicos em Portugal", dizem eles. Era realmente interessante se fossem eles a possuir os últimos vivos desta espécie.:)

Até aposto em como são tubarões daqueles pequenos que cabem numa mão. Só conversa...

De qualquer maneira, os bilhetes são de graça, portanto não custa nada experimentar.

Espera-se uma noite, vá, agradável.



Rita.



quinta-feira, 12 de março de 2009

NANA


Quinta-feira. Normalmente, dia de jogar xadrez e sueca. Já estou uma profissional.:)

Então, teste de Inglês. Nada de especial, tirando aquele exercício do mais confuso possível em que tínhamos que ligar umas colunas às outras. A apresentação daquele meu exercício está deveras interessante. Que confusão.

Pacto com o Jorge e saímos os dois beneficiados. Eu copiei a D, ele a E. Que sociedade maravilhosa que nós formamos. Que continue por mais algum tempo.

Física e Química: Titulações. Aulas práticas são do melhor. Podia estar o ano todo no laboratório e não me cansar. Especialmente a ver se a professora consegue ser tanto ou mais descuidada do que eu com os ácidos. Descoordenada como eu sou, o mais provável é, um dia destes, ocorrer um acidente. Os resultados iriam ser... catastróficos, digamos. Com ácidos clorídricos à mistura.


Pela tardinha, o quê, o quê? Atílio Braga, com a sua Matemática.

Umas das poucas vezes em que a nossa querida e estimada docente de Filosofia nos iria presentear com uma pequena folguita e, sem darmos conta, aula extra. É preciso ter muita paciência, é sim senhor. O que lhe valhe é eu gostar de si, professor. Apesar dos seus comportamentos, digamos, imprevisíveis, e estou a ser querida.


Chega-se a casa com Frei Luís para estudar. A vontade rebenta pelas costuras. Sento-me no sofá, ligo a TV, e o que está a dar? NANA! Foi o suficiente para eu não ter pegado no livro de Língua Portuguesa o resto da tarde. É demasiado irresistível assistir a um dos melhores animes que já vi. Três episódios e dois iogurtes de banana depois, decidi que era altura de me aplicar, mas aplicar a sério, não como decidi que me ia aplicar para Biologia e acabei a ler O Poço das Sombras o resto da noite. Desta vez, sei tudo o que é suposto, se bem que Português continue e continuará a ser a minha melhor disciplina, sem precisar de um grande esforço da minha parte. Toda a gente tem uma disciplina em que é bom naturalmente. A minha é, sem sombra de dúvida, esta.


Agora, estou a pensar no que vou fazer a seguir. Porque, sem ter que estudar e com os livros todos lidos, pouco me resta. Fica apenas o suave som de Mozart ou a fantástica música dos Nirvana.


Rita.

A Lágrima Partilhada


A lágrima partilhada

O Daniel era um rapaz muito triste, pois há dois anos atrás tinha morrido o seu periquito que trabalhava arduamente para o sustentar. Ficou tão traumatizado que nunca mais viria a comer a sua comida preferida, o fast-food para os jovens de hoje, sementes de periquitos. Daniel tinha os seus treze anos e já era um falhado, seguindo o exemplo de muitos portugueses. Ele comia raízes e era um rapaz amargurado, já não sabia o significado da palavra “higiene” até que encontrou três viajantes chamadas Sara, Paula e Rita. Elas foram pronta e corajosamente procurar a origem daquele nauseabundo cheiro. Ao contrário do que elas haviam pensado era um rapaz da idade delas e não uma gigante doninha fedorenta. Elas dirigiram-se a ele e tentaram perguntar o que se passava mas ele não se lembrava como se falava a extraordinária Língua Portuguesa, só sabia piar, por isso elas perguntaram:
- Quem és –
- Piu... piu…. Piu… piu…. - Respondeu ele.
Elas, como raparigas prestáveis que eram, deitaram-no ao rio e explicaram por gestos como se lavava com sabão (sabão rosa).
Passados dois meses, ele era um rapaz muito limpinho, todo lambidinho. Elas tentavam em vão ensinar-lhe Português mas o mais parecido era “piu, piu”, até que numa manha quente com um frio de rachar, uma manhã de nevoeiro cerrado com um sol resplandecente, Daniel disse a sua primeira palavra “amigas” deixando cair uma lágrima de emoção ao mesmo tempo. Daniel pegou naquela lágrima, partiu-a em quatro, ficou com uma para ele e deu os outros três pedaços às suas amigas. Aquela lágrima partilhada por quatro foi o inicio de uma amizade partilhada por quatro, formando deste modo uma poderosa irmandade secreta chamada POWER PERIQUITOS. Prometeram salvar o mundo de todos os falcões e, evidentemente de todos os

mal cheirosos.



Texto com mais anos que a Cucas, mas com o mesmo significado de há tanto tempo.

Quem são os maiores? Somos nós, pois está claro.

Sara, Rita, Daniel e Paula com 13 anos. Último dia de aulas. Uma das muita fotos tiradas nessa tarde.




Rita.

terça-feira, 10 de março de 2009

Dia extremamente aborrecido, com inscrição para exames e bolachinhas salgadas à mistura.
Preciso de me divertir. Muito urgentemente.

Rita.

Histórias

Nunca conheci a minha mãe. A avó Margarida sempre me contou que a Júnior, como as pessoas da terra dos meus avós tratavam a minha mãe, era, por natureza, uma pessoa insatisfeita. Nada estava como devia ser, e nada estava completamente bem. A minha mãe era muita boa a descobrir pequenos defeitos, quase microscópicos, em coisas insignificantes como pratos, lençóis, e até, piaçabas. A minha avó contou-me, muito entusiasticamente, devo dizer, que houve uma vez, na época em que o tio António tinha acabado de casar e os meus avós andavam à procura de uma novo lar, mais pequeno, visto que o agregado familiar estava a diminuir, em que a Júnior e os seus pais foram ver várias casas. Para a avó Margarida, todas as casas eram perfeitas, cada uma mais bonita que a outra. Para o avô, bem, para o avô eram todas iguais: paredes, janelas e portas. Para a minha mãe, a história era bastante diferente. Se não era a porta que rangia quando abria e fechava, eram os azulejos da cozinha que não estavam completamente limpos, ou então, a torneira que tinha alguma ferrugem. Viram vários apartamentos, casas com jardim, casas sem jardim, até que, quase por milagre, os meus avós descobriram uma coisa que correspondia a todas as expectativas da minha mãe: portas como deve ser, azulejos como deve ser, torneiras como deve ser. Para o avô, era apenas mais uma casa com paredes, portas e janelas. E foi então que a avó Margarida começou a sorrir enquanto nos contava, a mim e ao meu irmão Jaime, o que se tinha passado nessa tarde.
- Mãe, se tu e o pai tiverem gostado, acho que é esta é a casa. A perfeita. Pai? –
O avô acenou com a cabeça, lançou um sorriso tímido à Júnior, e, rapidamente, lançou-se de novo na contagem das nuvens que se podiam observar no céu daquela tarde.
- Mãe? –
Sorriu. Enquanto olhava para a sua filha, podia ver-se que a avó Margarida estava divertida. Imagino que a minha mãe não estivesse a achar piada àquela situação. E muito sinceramente, penso mesmo que não a estava a entender muito bem. A avó sempre fora muito enigmática. Um quebra-cabeças que, com vontade e paciência, era maravilhoso tentar resolver.
- Bem, acho que estás enganada. Acho que esta não é casa. Se reparares bem, aí atrás de ti, sim, mesmo atrás de ti, está uma pequena rachadela na parede. Minúscula, mas mesmo assim, uma rachadela. E ali, Margarida, à beira do pai, aquela janela, ora repara bem. Vês a persiana? Se observares com atenção, vês ali um pequeno buraco que, apesar de parecer insignificante agora, pode tornar-se um complicado problema. -
O avô mostrou os seus dentes brancos, na altura. Fora esta uma das razões que o tinha levado a, vinte e cinco anos antes, ter-se casado com a avó Margarida. Desde esse dia, a minha mãe parecia contentar-se mais facilmente, segundo a avó. É claro que uma pessoa não muda de um dia para o outro, e a vontade de tentar melhorar as coisas persistiu.

domingo, 8 de março de 2009

Gorros...


Hoje, fui à avó Maria, como faço quase todos os Domingos. No entanto, este Domingo foi especial. Não por a avó ser como o Benjamin Button e estar e a ficar mais nova com o passar da idade, mas sim por ser como todas as outras pessoas no mundo e estar a envelhecer.

Pois é, a mãe da minha mãe e dos meus restantes nove tios e tias faz sessenta e oito anos e continua a parecer uma jovem tanto mental como fisicamente. Eu quero ser como tu quando envelhecer, vó, quero sim senhora.
Sabe bem ver as pessoas das quais gostamos felizes, e hoje foi um desses dias. Os olhos da avó brilhavam enquanto cantávamos os parabéns e quando abrimos a garrafa de Champanhe.
Domingo foi isto. Aniversário e pouco mais. Porque neste momento, já sei como vai ser o resto da noite: deitada na minha cama, com o nariz quase no tecto, a pensar no que tenho para fazer amanhã e com a música a tocar baixinho.

Agora, restam-me os gorros pretos que servem melhor para assaltar casas. :)

Rita.

Cucas


São 6.16h e eu estou acordada. Nem dá para acreditar. Tendo em conta que não sou uma pessoa muito dada a manter-me desperta, é um recorde para mim.

Então vamos lá ver.

Sábado, um dia como outro qualquer, exceptuando o pequeno pormenor de que posso ficar relaxada na minha cama, quentinha e descansada.

A minha mãe entra pelo quarto e, tipicamente, começa a falar a um volume que é assustador. Obviamente, eu acordo e fico com um terrível mau humor que logo passa assim que ela me conta uma das suas histórias matinais espectaculares. És a melhor.

Salto da cama mas, como sempre, aleijo-me no pé esquerdo porque salto sempre como se estivesse na cama de baixo. O resultado é interessante.

Passo pela gata, que fica a olhar para mim com os seus olhos verdes gigantes, bebo o meu copo de leite com pouco chocolate e vamos lá para o trabalho.

Mudanças seriam o meu pior pesadelo se a casa para onde vou morar não fosse tão agradável. Assim, a situação até fica mais fácil. Permanece igualmente cansativa, mas mais fácil.

Depois de tudo nas caixas, o meu quarto fica interessante. Fica muito maior, isso é certo. E visto de cima, não tem vida. Ninguém diria que este é o quarto da Rita Rodrigues Borges, sem cor.

Vou pintá-lo, e acho que vai ser uma tarefa divertida. Herdei o meu jeito para este tipo de coisas da minha mãe. Acho até que, se seguisse uma carreira de carpinteira ou electricista, iria ter sucesso. Se bem que não me parece que isso aconteça.

Depois de tudo feito, sento-me e não me levanto mais, apenas quando chega a hora de subir as escadas e enfiar-me debaixo das mantas. O melhor momento do dia, sem a mais pequena dúvida.


Sábados. Uma monotonia.



Rita.