sábado, 30 de maio de 2009
15 de Agosto de 1900
José Maria Eça de Queirós, assim fui baptizado após o meu controverso nascimento a 25 de Novembro de 1845, em Póvoa do Varzim. De um lado, o meu papá, José Maria Teixeira de Queirós, magistrado judicial. Do outro, a mamã, Carolina Augusta Pereira d’Eça. Devido às condições ilegais da relação de meus pais, fui, precocemente, afastado destes, e levado com tenra idade para junto de meus avós paternos, onde estes habitavam perto de Aveiro.
Após a minha avó materna sucumbir, estava eu com quatro anos então, deu-se, por fim, o casamento do pai e da mãe. Todavia, este facto não alterou o facto de ser considerado filho ilegítimo pela sociedade, permanecendo, assim, afastado daqueles que me deram vida.
Tinha dez anos e uma vida inteira pela frente, quando fui internado num Colégio no Porto, o Colégio da Lapa, onde permaneci até ao momento em que ingressei na Faculdade de Direito de Coimbra, em 1881. Aí, conheci os caros Teófilo Braga e Antero de Quental. Em 1866, após concluir os estudos académicos, parti para Lisboa onde, apesar de exercer funções relacionadas com o curso que tinha acabado de concluir, não sentia um grande futuro em relação à prática desta profissão. Assim, em 1867, parti para Évora, onde fundei um modesto jornal “O Distrito de Évora”. Alguns meses mais tarde, mudei-me novamente para Lisboa, onde passei a colaborar com “A Gazeta de Portugal”.
Em 1869, tive a estupenda oportunidade de viajar pelo Egipto e pela Palestina, dois inspiradores países, onde cheguei ainda a assistir à inauguração do Canal do Suez. Nessa viagem, fez-se acompanhar comigo o ilustre conde de Resende, que me apresentou a sua belíssima irmã, Emília de Castro Pamplona, com quem, para minha grande satisfação, viria a casar, já no ano de 1886. O ambiente, as pessoas, o modo de vida, as recordações dessa jornada foram tantas e tão enriquecedoras que me foi possível, através da memória, redigir o livro O Egipto, onde podemos encontrar essas mesma impressões vividas durante todo o percurso e, ainda, criaram o ambiente propício para a realização do romance A Relíquia.
No mesmo ano, juntamente com o meu já conhecido e companheiro Antero de Quental e Batalha Reis, desenvolvemos a forma de Carlos Fradique Mendes, facto que, algum tempo mais tarde, viria a encarar como um alter-ego.
Em 1870, juntamente com um antigo docente de Francês do Colégio que frequentei enquanto rapaz, Ramalho Ortigão, escrevi alguns folhetins a que, juntos, apelidámos de O Mistério da Estrada de Sintra. A saudável sociedade prolongou-se por mais algum tempo, culminado com a publicação da crítica social e política As Farpas.
Já em Lisboa, reencontrei, mais uma vez, Antero de Quental e, em conjunto com outros estudiosos, formamos o Cenáculo, de onde surgiram as Conferências de Casino. Naquela altura, sentia-se a grande revolta de vários indivíduos, onde o Ultra-Romantismo e a Estagnação do País eram contestados. Pelas ruas, era cada vez mais notável a presença de insatisfeitos com a situação que o país atravessava. Cheguei, ainda, a ser porta-voz de uma das conferências do casino, mais concretamente a quarta, onde foi discutido o realismo como nova expressão de arte. No entanto, a crescente insatisfação do poder monárquico acerca desta revolta fez com que o Governo, movido pelas acusações de ofensa às leis da monarquia e ataque a questões como o Estado e a religião, proibisse as Conferências e encerrasse o casino.
Apesar desta proibição, esta questão terminou com a vitória dos ideais preconizados pela nossa geração, provocando, assim, uma completa renovação cultural, com a acentuação do papel de intervenção social que a literatura deve ter, pondo de parte a retrogradação do ultra-romantismo e dando espaço ao impulsionamento do realismo.
Em 1870, mais um desafio, o cargo de administrador do Concelho de Leiria que, com o qual, me permitiu recolher informações que para conceber o ambiente que um dos meus livros iria ter, O Crime do Padre Amaro.
Entrementes, em 1872, fui nomeado Cônsul em Havana que, na altura, era uma colónia espanhola. Fiz uma duradoura viagem pelo Canadá e Estados Unidos, na qual escrevi o conto Singularidades de uma Rapariga Loura e criei a primeira versão de O Crime do Padre Amaro.
Já no ano de 1874, fui transferido para Newcastle, onde escrevi O Primo Basílio, e onde surgiram as primeiras ideias das quais viriam a surgir Os Maias, O Mandarim e A Relíquia.
Catorze anos depois, já casado, fui enviado para o Consulado de Paris, onde publiquei ainda, em jornais, A Correspondência de Fradique Mendes e A Ilustre Casa de Ramires.
Entre 1889 e 1892, tive ainda a oportunidade de criar e dirigir a “Revista de Portugal”.
Hoje, permaneço neste muito último destino, a cidade do amor, Paris. Sinto que, muito em breve, vos deixarei. Sei, bem dentro de mim, que amanhã será a última vez que verei a luz do sol, que poderei pegar numa caneta e escrever aquilo que me vai na alma. Porque a Literatura é tão bela! Assim, caro leitor, suponho que se encontra no dia 16 de Agosto de, vamos lá ver, 2008, no dia do 108º aniversário da minha morte, o código do cofre onde irei colocar esta pequena biografia. Imagino a vossa cara quando recebeu uma carta em sua casa com a localização precisa do baú. Deixo, portanto, tudo preparado para que este meu pequeno tesouro vá parar às mãos certas, no dia certo. E que melhores mãos senão aquelas onde corre o mesmo sangue que o meu?
Resta-me agora a vista da cidade tão linda, que me há-de encher de alegria nestes últimos, mas preciosos, momentos e uma folha de papel, onde escrevo estas últimas palavras, as derradeiras.
15 de Agosto de 1900
Eça de Queirós.
Rita.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Vem Outono, vem....
Pouco falta para o fim das aulas. Em qualquer outro ano, provavelmente, por estar altura, já estaria a contar os segundos para o tão esperado descanso do guerreiro. Mas este ano, não.
Parece que hoje estou muito dada a significados, porque fim de aulas significa exames nacionais de Biologia e Geologia e de Fisico-Química e estes significam o fim da minha paz de espírito. Gostava de não me deixar afectar por isto, mas é um pouco complicado.
Enfim, como diz o Daniel, vou deixar de bater no ceguinho. Seja como for, não são dois míseros exames que me vão tirar a boa disposição. (Isto sou eu a tentar convencer-me a mim, própria, pois está claro.)
E mais uma coisa. Obrigado, professora.
Dia mais chato.
O dia estava quente. Muito quente, aliás. As roupas colavam-se ao corpo, como se fizessem parte dele, de tal modo que se podia notar a anatomia de cada um, tal era o suor que os corpos emanavam. Os mais idosos procuravam abrigo em todas as sombras que pudessem encontrar e os mais pequenos, esses, deliciavam-se com os sistemas de rega que tratavam da hidratação da relva do parque da vila, correndo e rebolando na erva húmida para combater o calor. Ouvia-se, aqui e ali, vizinhos e conhecidos a comentarem a grande seca que o país atravessava naquele ano, o calor que se apresentava dia após dia, as temperaturas que pareciam nunca mais baixar. Viam-se casais de namorados, cães correndo à volta dos seus donos, impacientes por se refrescarem. Todos pareciam conformados com aquele dia de Verão que, para mim, era apenas mais um.
Travis - Re-Offender
Rita.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
The Warning
Everything was in silence when, all of a sudden, dogs started to bark desperately, frightening all the community of that little tribal village. Everyone was whispering in the streets because they felt that something really chilling was about to happen and they were not wrong.
Among all the people, a woman screams and the silence falls. People look to each other with a question in their horrifying eyes. The fear invades young and old and the will to help that scared voice starts to grow in the community.
“My child!!! My sweet boy! I can’t find him. Please, help me!”
The silence was immediately replaced by worried voices, and histerical shrieks.
“ I want a moment to think. Please, be quit...”
The old man wasn’t shouting to the people but they all seemed to hear him. He was standing on a rock with his back straight and a tribal staff in a wood in his wrinkled hands.
“ We must think. We must get a plan. First of all, I need to ask you something, Akawara. Did you noticed anything weird today?”
Akawara said that besides the mysterious disappearance of her son, nothing unusual took place in the village. Everybody started to search for the kid but they didn’t find any clue about the place where he could be.
As no one could find him, someone came with a theory that made the legs tremble.
The ancestors of that community believed that Thor, one of their gods, demanded the sacrifice of children, otherwise the annual harvest would be ruined.
Since the beginning of the investigation, eleven more children had disappeared and White Eagle, the old man that leads the tribe, decided that someone should look for spiritual answers.
To do so, he went to the cave where statues of gods were. Thor was also there... White Eagle was praying when, suddenly, someone interrupted his line of thoughts.
Akawara was breathless, running towards his leader.
“White Eagle, I found them! They’re in a clearing in the woods near the mystical waterfall.”
A bright smile appeared in the leader’s face as if nothing was better than the news he had just received.
“Thanks’ to Ashalmin, god of life! Let´s reunite all the members of this village and then you can show us the way.”
And so it was... a short time later, they were in the clearing in the woods where they found all the missing children. They were on the floor, forming a circle and looking at something that the rest of the inhabitants couldn´t see.
Akawara finally saw her son and she ran towards him like all the other mothers.
“ Iakary, why did you all come here alone? Why? We were so worried!”
Iakary looked at his mother with a look of incomprehension on his childish face...
“We didn´t come here alone... Can’t you see all these people here with us?”
White Eagle was listening to the conversation and, suddenly, all of the mysteries started to make some sense to him. He had always listened to some stories about the spirits of the forest that only child could see and animal could feel. So, he was able to solve all the dark problems that had fallen over his people and he discovered why dogs barked everytime a child disappeared. They knew what was about to happen. They felt the presence of the other world and they tried to warn them...
End of Story ;)
Daniel Dantas Gomes
Rita Rodrigues Borges
Sara Esteves CerqueiraSomos tão talentosos que até irrita :b
Provavelmente, a história tem um final sangrento, visto os membros do grupo serem um pouco, vá, macabros. Mas nada de especial.
domingo, 3 de maio de 2009
Dia da Mãe
Em Portugal, o Dia da Mãe é celebrado no primeiro domingo de Maio.
Feliz dia, Mãe.
Porque tiveste a coragem de me carregar durante nove meses.
Porque ainda tens a coragem de me carregar agora.
Jantar em Casa dos Gouvarinho

O episódio da crónica de costumes do qual irei falar é o jantar na casa dos Gouvarinho.
O jantar em casa dos Gouvarinho é marcado pela crítica social que está presente devido ao diálogo entre personagens e, principalmente, pela atitude que estes tomam face às situações. Este jantar permite-nos observar a degradação dos valores sociais, o atraso intelectual do país, a mediocridade mental de algumas figuras da alta burguesia e da aristocracia. São-nos apresentados vários temas de conversa que são introduzidos no decorrer do diálogo que se estabelece na casa dos Gouvarinho e que Eça utilizou para radiografar a ignorância das classes dirigentes do país.
Neste episódio, é facilmente visível o atraso e a estagnação do país.
Numa conversa entre D. Maria e Carlos, Carlos afirma que tudo permanece igual.
“Creio que não há nada de novo em Lisboa, minha senhora, desde a morte do senhor D. João VI.”
(Capítulo XII, página 389,edição antiga, e página 395, na edição recente)
Esta afirmação de Carlos é um perfeito indicador da inércia da população portuguesa, que em nada contribui para a evolução social do país. Esta falta de actividade foi, talvez, um dos pontos fulcrais que Eça de Queirós tentou abordar com “Os Maias”, uma vez que toda a obra dá relevância à apatia dos habitantes.
Durante o jantar, é possível apreciar duas concepções opostas sobre a educação da mulher. Por um lado, uma mulher deve ter capacidade para falar sobre livros ou artigos de revista mais simples sem que, no entanto, tenha capacidade intelectual que lhe permita discutir abertamente assuntos de cariz literário, político ou social com um homem. Por outro lado, as melhores qualidades, e aquelas às quais se deveria dar mais relevância, são as de dona de casa, ou seja, cozinhar e ser uma boa mulher. Citando Ega:
“A mulher só devia ter duas prendas: cozinhar bem e amar bem.”
(Capítulo XII, página 398, edição antiga, e página 404, edição recente)
Naquela época, a educação das mulheres não era considerada uma prioridade e as mulheres mais dotadas intelectualmente eram, de certa forma, temidas pelos homens como, mais uma vez, Ega afirma.
“Uma mulher com prendas, sobretudo com prendas literárias, sabendo dizer coisas sobre o sr. Thiers, ou sobre o sr. Zola, é um monstro, um fenómeno que cumpria recolher a uma companhia de cavalinhos, como se soubesse trabalhar nas argolas.”
(Capítulo XII, página 398, edição antiga, e página 404, edição recente)
O Conde de Gouvarinho afirma que as mulheres deveriam poder discutir um livro de formas a tornar a conversa interessante, mas Ega opõem-se a esta ideia.
“O dever de uma era primeiro ser bela, e depois ser estúpida…”
(Capítulo XII, página 397, edição antiga, e página 403, edição recente)
Com esta afirmação arrojada de Ega, que diminui as capacidades das mulheres e que as rebaixa intelectualmente, o Gouvarinho altera a sua opinião.
“O conde afirmou logo com exuberância que não gostava também de literatas: sim, decerto o lugar da mulher era junto do berço, não na biblioteca.”
(Capítulo XII, página 397, edição antiga, e página 403, edição recente)
Estes comentários sobre as mulheres são representativos da sociedade em que se vivia, uma vez que a educação das mulheres não era considerada prioritária e apenas os homens podia interferir na vida cívica. O papel do sexo feminino na sociedade de então era de mero espectador, não tinham opinião definida sobre nada do que as rodeava e, mesmo tendo, o que elas diziam era desvalorizado pelos homens, pois eram eles quem detinha o poder e quem tomava todas as decisões.
Eça de Queirós retrata esta realidade através do discurso entre indivíduos da alta sociedade que, em vez de tentarem alterar a posição apática deste grupo de pessoas, manifestavam o seu desagrado face a essa mudança e apoiavam resolutamente esta inactividade.
A falta de cultura dos indivíduos que são detentores de cargos que os inserem na esfera social do poder é um dos pontos mais criticados neste episódio sendo também aquele que mais se destaca sob a forma de Sousa Neto, da Instrução Pública.
Sousa Neto, que deveria ser um homem de grande inteligência e cultura, aparece-nos como um ignorante e alguém com os horizontes limitados. Quando Ega lhe pergunta se sabe o que diz Proudhon, Sousa Neto demonstra falta de conhecimento sobre este socialista utópico uma vez que, em modo de desculpa, argumenta que não se recorda “textualmente” da obra, referindo depois que “Proudhon era um autor de muita nomeada”. No entanto, perante a insistência de Ega, e quando este menciona “as grandes páginas de Proudhon sobre o amor”, sintetiza a sua ignorância pensando que está a demonstrar grande conhecimento.
“Não sabia – disse ele com um sorriso infinitamente superior – que esse filósofo tivesse escrito sobre assuntos escabrosos!”
(Capítulo XII, página 398, edição antiga, e página 404, edição recente)
Com isto, Sousa Neto demonstra não conhecer aquilo que o rodeia e Ega, aproveitando esta oportunidade para o provocar, pergunta-lhe, consternado, como poderia o amor ser considerado um assunto escabroso. Sousa Neto demonstrou um pouco de embaraço mas, para não dar parte de fraco nem de pessoa inculta, reuniu toda a sua dignidade e defendeu-se da pergunta acusadora de Ega.
“ É meu costume, sr. Ega, não entrar nunca em discussões e acatar todas as opiniões alheias, mesmo quando elas sejam absurdas…”
(Capítulo XII, página 399, edição antiga, e página 405, edição recente)
Esta afirmação de Sousa Neto é uma forma de Eça afirmar que os detentores de altos cargos na sociedade portuguesa são pessoas sem ideias próprias e cuja falta de cultura os impede de participar activamente numa discussão sobre aquilo que se passa à sua volta. Demonstra uma incapacidade latente de proferir uma opinião e de tomar decisões que promovam o avanço do país. Está, portanto, aqui presente, uma das principais causas da estagnação que se fazia sentir na altura, a incapacidade de agir dos governadores.
Outra personagem muito representativa da ignorância das classes dirigentes é o Conde de Gouvarinho. Este homem tenta criar um diálogo inteligente sobre a escravatura mas, não percebendo a ironia sarcástica por detrás das palavras proferidas por João da Ega, muda inesperadamente de assunto de forma a não ter que formular nova opinião.
“O nosso Ega quer fazer simplesmente um paradoxo e tem razão, tem realmente razão, porque os faz brilhantes…”
(Capítulo XII, página 393, edição antiga, e página 399, edição recente)
O deslumbramento pelo estrangeiro revela os horizontes limitados dos elementos dirigentes do país. O estrangeiro era-lhes apelativo, pois tudo, ou quase tudo, que conheciam se cingia à realidade Lisboeta. Por este facto, e para demonstrarem um conhecimento que, na realidade, não possuem, tentam falar de outros países como se já lá tivessem estado. É numa destas tentativas de demonstrar conhecimentos que o Conde de Gouvarinho explica à senhora de escarlate como era o país que Carlos da Maia havia visitado.
“País de grande prosperidade, a Holanda!.. Em nada inferior ao nosso… Já conheci mesmo um holandês que era excessivamente instruído…”
(Capítulo XII, página 390, edição antiga, e página 396, edição recente)
Todavia, quem sente uma maior curiosidade e fascínio pelo estrangeiro é Sousa Neto que chega até a questionar Carlos sobre Inglaterra e sobre a sua literatura.
“E diga-me outra coisa – prosseguiu o sr. Sousa Neto, com interesse, cheio de curiosidade inteligente. – Encontra-se por lá, em Inglaterra, desta literatura amena, como entre nós, folhetinistas, poetas de pulso?...”
(Capitulo XII, página 399, edição antiga, e página 405, edição recente)
Sousa Neto é, mais uma vez, a personagem alvo da crítica de Eça pois o facto de ele demonstrar tanta admiração por outros países faz com que seja visível o seu aprisionamento cultural, confinado às terras portuguesas.
Neste episódio é também bastante visível o facto de os homens que estão em posição de poder em Portugal valorizarem mais o luxo e o “chique” que, propriamente as acções em prol do espaço em que estão inseridos.
“Mas ele agora não falava tanto do talento do Barros como parlamentar, como homem de estado. Falava do seu espírito de sociedade, do seu esprit…”
(Capítulo XII, página 393, edição antiga, e página 399, edição recente)
É, assim, clara a crítica que Eça de Queirós pretende fazer neste episódio: a sociedade portuguesa está em estagnação e as pessoas de poder nos altos cargos da sociedade preferem o luxo e a diversão às actividades políticas e/ou sociais que a sua posição exige.
domingo, 19 de abril de 2009
25 e 26 de Março de 2009
A partida de Arcos de Valdevez foi às 6 horas e 30 minutos e todos estávamos muito curiosos em relação a tudo aquilo que iríamos visitar e muito entusiasmados pelo tempo que iríamos passar em Lisboa. No entanto, a nossa primeira paragem foi no Cabo Mondego onde pudemos reconhecer o fascínio geológico que as rochas representam.Em geologia é importante termos presente a noção de tempo geológico, tão diferente da escala temporal da nossa vida. A unidade de tempo em geologia é o milhão de anos. Uma montanha pode levar dezenas de milhões de anos para se formar; um oceano pode abrir, crescer, fragmentando um continente e separando por distâncias de milhares de quilómetros diferentes placas litológicas.
A Serra da Boa Viagem, inserida na Orla Meso-Cenozóica Ocidental onde predominam rochas sedimentares químicas e detríticas, apresenta cerca de 6 km e termina, abruptamente, nas vertentes setentrional e ocidental onde dominam as escarpas de natureza carbonatada.
No sector ocidental desta serra, o Cabo Mondego, aflora uma espessa série de sedimentos, que registam, de forma notável, alguns dos principais acontecimentos da História da Terra. O intervalo de tempo registado situa-se aproximadamente entre os 180 e os 140 milhões de anos, verificando-se ao longo da costa desde a praia da Murtinheira o Jurássico Inferior e Médio e, até à baía de Buarcos, o Jurássico Superior.
Os locais com registo sedimentar expressivo e com conteúdo elevado em amonites são locais com grande interesse para as Ciências da Terra, dado que testemunham com rigor um determinado intervalo de tempo da História da Terra.
Para o intervalo de tempo considerado, os marcadores estratigráficos normalmente utilizados em sedimentos marinhos são as amonites, um grupo extinto de moluscos cefalópodes, que se assemelhavam às actuais lulas e chocos. A ocorrência destes fósseis no Jurássico Médio do Cabo Mondego é particularmente relevante, na medida em que, com base na sua distribuição vertical, se conseguem precisar as escalas do tempo geológico.
O Jurássico Superior, cujos sedimentos assentam sobre o Jurássico Médio, proporciona a observação de corpos sedimentares característicos de ambientes de transição, como, por exemplo, recifais.
“A História Geológica do nosso país durante os tempos jurássicos está inscrita nas falésias do Cabo Mondego. Preserve-a porque ela não se repete”. Helena Henriques, geóloga
Para além dos dados geológicos que apreendemos nesta visita ao Cabo Mondego adquirimos também mais conhecimentos sobre alguns seres marinhos como o ouriço-do-mar que encontrámos à beira da água.
O ouriço-do-mar, segundo o que a professora de geologia explicou, tem cinco dentes, localizados na superfície inferior do corpo. Estes dentes formam um bico e estão unidos num sistema de ossículos e músculos bastante complexo, denominado Lanterna de Aristóteles. Como alguns dos ouriços que encontramos não tinham espinhos, os dentes eram facilmente visíveis assim como o ânus que se encontra na parte superior do corpo. O ouriço-do-mar é um equinoderme, tal como as estrelas-do-mar e os pepinos-do-mar. Alimenta-se de outros invertebrados e de algas que raspa das rochas com os dentes. Não tem olhos mas o corpo está coberto por células sensíveis à luz. Assim que detecta luz, cobre-se com conchas, pequenas pedras e algas. Apesar de não parecer, estes animais movem-se com a ajuda de pés ambulacrários. O seu esqueleto duro e coberto de espinhos não é suficiente para os proteger de alguns caranguejos Europeus, estrelas-do-mar e peixes.
Nesta visita, tivemos a oportunidade de apreciar a beleza natural do Cabo Mondego enquanto adquiríamos mais conhecimentos acerca do mesmo. O curto espaço de tempo em que permanecemos neste local foi especialmente interessante para nós, uma vez que pudemos analisar, de forma independente, as características das rochas e o porquê das mesmas, tal como procurar fósseis que aí se pudessem encontrar. Acabamos por encontrar amonites, bastante comuns nesse local.
Pelo facto de o tempo disponível ser limitado, não pudemos permanecer tanto quanto gostaríamos. Assim, continuamos a nossa viagem, tendo parado algum tempo para almoçar.
Decorrido esse pequeno espaço de tempo no qual pudemos descontrair um pouco, seguimos para uma fábrica de vidro da Marinha Grande, Jasmim. Aí, observamos o fabrico de vidro para decoração, sendo que os trabalhadores chegaram mesmo a fazer um pequeno cavalo de vidro com o intuito de demonstrarem a forma como o material era moldado. Visitámos o Jasmim Glass Studio da Marinha Grande, todavia, a Jasmim é uma marca reconhecida em todo o país, exportando as suas peças para mais de 23 países.
A arte de fabricar o vidro é muito antiga, ignorando-se a forma como surgiu. A vocação vidreira da Marinha Grande surgiu no século XVIII, porque possuía o combustível de eleição em abundância para a época, a lenha. Previamente, a indústria tinha sido expulsa pelas populações dos arredores de Lisboa, dado o enorme consumo dos fornos e a escassez de madeira e reactivada na Marinha Grande devido à influência do Marquês de Pombal.
O vidro é uma substância líquida, com um altíssimo grau de viscosidade à temperatura ambiente, variando em função da temperatura. É composto basicamente por areia (sílica ou vitrificante), sulfato ou carbonato (abaixo da temperatura de fusão da sílica) e cal (normalmente utilizada), que atribui resistência ao vidro. Quando essa mistura é elevada à temperatura de 1500º C, forma uma massa plástica e viscosa. O processo de fusão é muito complexo e envolve basicamente reacções químicas entre as diversas matérias-primas, a formação de fases líquidas e homogéneas, a eliminação dos gases produzidos nas reacções químicas e, finalmente, a formação de uma massa vítrea homogénea pronta para ser fornecida às máquinas de formação.
À medida que a massa, daí resultante, vai arrefecendo, a viscosidade vai também aumentando gradualmente formando-se, desta forma, o vidro. A coloração, por seu turno, é conseguida pela adição de substâncias químicas tais como o cobalto (azul) e o óxido de cobre (verde).
Enquanto observávamos a formação do vidro, fomos compreendendo as diferentes fases da sua formação e, essencialmente, o seu manuseamento e os cuidados que os trabalhadores necessitam de ter para o mesmo. Para além de assistir ao fabrico de peças decorativas, fomos ainda à loja onde os produtos estavam expostos para apreciar mais a fundo o trabalho realizado pela marca, sendo que alguns de nós compraram pequenas peças de vidro que, pelas suas cores e formas, nos apelaram bastante. Ainda na loja, tivemos também oportunidade de assistir a um breve filme sobre a história vidreira.
Após esta curta visita partimos, então, para a pousada do Inatel de Oeiras, onde pernoitaríamos. Quando lá chegamos, dividimo-nos por quartos, fomos jantar e voltamos para a pousada, onde alguns se divertiram com os jogos que tinham trazido de casa e outros se reuniram na parte de fora a conversar, a tocar guitarra, a jogar às cartas ou ao telefone, com as professoras que estiveram connosco até à hora em que o silêncio tinha que ser mantido. Aí, fomos todos recobrar energias para o dia seguinte, se bem que nem todos o tenham conseguido convenientemente.
Com um pouco mais de energia partimos, então, em direcção ao oceanário que era, para alguns, o local que suscitava um maior entusiasmo.
O oceanário de Lisboa é um espaço de lazer que promove o conhecimento da vida marinha e sensibiliza os cidadãos para a conservação da natureza, através da alteração dos seus comportamentos. Foi inaugurado em 1998 no âmbito da exposição mundial do séc. XX, cujo tema foi “Os Oceanos, um Património para o Futuro”.
Durante a visita, pudemos observar mais de 8.000 animais e plantas, de cerca de 500 espécies diferentes, nos cinco diferentes habitats representados: o Indico Tropical, o Atlântico, o Pacífico, o Antárctico e o Aquário Central que representa o Oceano Global e mostra a unidade dos Oceanos.
A primeira coisa que nos foi dada a observar foi o Aquário central (onde se encontram cerca de 100 espécies diferentes) que á a principal atracção do Oceanário e representa o oceano global que cobre 71% da superfície da Terra e contribui para 99% do espaço disponível para a vida. Neste aquário, os animais mais conhecidos são os tubarões, as raias, a manta, as garoupas e as barracudas, sendo ainda possível observar peixes de cardume, como as cavalas e os xaréus, que cruzam os oceanos. No entanto, o que nos chamou mais atenção foi um peixe gigante com uma beleza fora do comum e que nenhum de nós tinha visto antes, o peixe-lua.
O peixe-lua é o maior peixe ósseo do mundo, podendo atingir mais de 3 metros de comprimento e pesar mais de duas toneladas. Deita-se frequentemente à superfície da água deixando-se levar pela corrente, comportamento que lhe permite equilibrar a temperatura corporal. Este animal encontra-se em risco devido à sua natureza delicada e aos movimentos lentos que fazem com que seja apanhado facilmente por redes à deriva ou outros métodos de pesca.
Neste aquário, facilmente se identificavam quais os peixes que nadam mais à superfície e aqueles que preferem as zonas mais profundas.
O habitat do Atlântico Norte representa uma faixa que se estende desde a Islândia até aos Açores, ao longo da Crista Média Atlântica. As rochas que aí se encontram representam a origem vulcânica da ilha, simulando a experiência de estar numa gruta natural dos Açores. Neste habitat pudemos observar corais, peixes ósseos, estrelas-do-mar e aves. Aqui, aquilo que nos chamou mais atenção foram as aves pela sua beleza e pelas suas características peculiares.
O habitat do Antárctico representa, na realidade, uma faixa conhecida por zona sub-Antárctica compreendida entre a frente Polar Antárctica e a Convergência sub-tropical. Nestas zonas, as formações de pedra calcária encontram-se, devido à forte acção do vento e da neve, estratificadas e desgastadas.
Neste habitat a principal atracção era, indubitavelmente, a comunidade de pinguins que, por serem animais extremamente resistentes e leais entre si, apaixonam qualquer pessoa que admire a vida animal. Os pinguins são animais que vivem em zonas mais frias e que apenas têm um companheiro durante toda a sua vida. Enquanto as fêmeas vão à procura de alimento, os machos guardam os ovos enquanto que, de forma a se protegerem das condições adversas, formam um círculo para conseguirem manter a temperatura corporal.
Todavia, neste habitat também vivem peixes ósseos, tubarões e andorinhas que, apesar de não suscitarem um tão elevado grau de interesse como os pinguins, são igualmente fascinantes.
O habitat do Pacífico recriado, corresponde a uma faixa costeira rochosa, típica da costa de Monterey Bay, na Califórnia. Em termos climáticos é uma região temperada, onde a temperatura do ar ronda os 17ºC. Neste habitat havia muita diversidade. Tinha tubarões, aves, peixes ósseos, estrelas-do-mar, etc. Todavia, aquilo que nos cativou imediatamente foram as lontras devido à sua dócil beleza. Estes animais fizeram-nos esquecer que havia mais coisas para ver e, por isso, ainda estivemos bastante tempo a observar a forma como nadavam despreocupadamente.
A lontra-marinha é um mamífero com características muito peculiares e que está adaptado à vida no mar. O pêlo, que a mantém seca e protegida do frio, é constituído por duas camadas, muito densas, que prendem bolhas de ar entre as fibras oleosas. Estes animais abrem as carapaças e conchas das suas presas batendo-lhes com uma pedra. Conseguem manter a temperatura corporal constante e repor toda a energia que gastam porque comem, diariamente, o equivalente a 30% do seu peso.
Um guia que se encontrava ao nosso lado estava a explicar que a Amália, por ser fêmea, era mais inteligente que o Eusébio que preferia as partes mais atléticas, ou seja, nadar. Enquanto lá estivemos observámos os funcionários do oceanário a darem alimento às duas lontras e também como elas, habilidosamente, conseguiam descascar o mesmo.
O habitat do Índico corresponde, em termos climáticos, a uma zona conhecida como Índico Tropical.
A temperatura da água neste habitat tropical está acima dos 20ºC, durante todo o ano, propiciando a construção de recifes de coral pois, apesar de os corais existirem em todo o oceano, apenas na zona tropical se formam recifes.
Este habitat representa, do ponto de vista geológico, as ilhas Seychelles e contém uma enorme variedade de aves, peixes ósseos e plantas.
Assim, o Índico é caracterizado pela existência de várias ilhas coralinas, estando neste habitat representado, do ponto de vista geológico, as Seychelles. As praias arenosas, cobertas de vegetação luxuriante, escondem uma enorme variedade de aves, que se advinham pelos sons perfeitamente audíveis.
A visita decorreu com normalidade, enquanto observávamos a grande diversidade de espécies existentes neste espaço tão agradável. Observámos, para além de todos os seres marinhos e aves, um pequeno filme onde nos era explicado de forma muita sucinta, mas clara, a forma como o Oceanário era dirigido e os cuidados e tratamentos que eram necessários realizar para o bem-estar de todas os seres vivos presentes nos aquários. Entre outras coisas, ficámos a saber com esta visualização que é necessário um trabalho diário desempenhado com a maior dedicação pela equipa de biólogos e aquaristas para que as espécies possam viver num ambiente limpo e saudável, e ainda que são necessários mais de sete milhões de litros de água salgada para abastecer todo o Oceanário.
Por mera curiosidade queremos ainda acrescentar que o percurso da visita é circular e unidireccional, no sentido contrário aos ponteiros do relógio. Este percurso simboliza, deste modo, um regresso ao passado, ao reencontro do Oceano, que desde sempre desempenhou um papel primordial na evolução e regulação da vida no planeta.
Terminada a visita, tivemos a oportunidade de fazer um passeio pelo parque das Nações num comboio de turismo. Vimos alguns dos pontos mais importantes deste parque, como o pavilhão Atlântico e a torre Vasco da Gama. A pequena expedição terminou junto ao centro comercial Vasco da Gama, onde iríamos almoçar.
À hora combinada, após um curto momento de descontracção, seguimos para a Fundação Calouste Gulbenkian para visitarmos a exposição A Evolução de Darwin. Esta é uma exposição sobre a história da evolução desde o século XVIII até aos nossos dias.
Nesta exposição, foi-nos explicada a viagem de Darwin a bordo do Beagle, que foi o principal contributo para que este cientista pudesse formular a sua teoria. Durante cinco anos, Darwin teve a oportunidade de visitar vários locais por todo o planeta, observando e registando os padrões na distribuição geográfica das espécies vivas e na distribuição geológica e geográfica dos fósseis, que viriam a ser cruciais na fundamentação da teoria.
Depois desta viagem absolutamente decisiva para a sua formação, Darwin sabia que era necessário testar a sua teoria antes que pudesse mostrá-la ao mundo. Assim, após desembarcar o Beagle, viveu alguns anos em Londres, desenvolvendo aí a teoria da evolução por meio de selecção natural, que consiste num mecanismo de competição em que a variabilidade de certos indivíduos lhes permite uma melhor adaptação ao meio e, desse modo, os torna mais eficientes a passar os seus genes à descendência, preservando essa variabilidade de geração em geração. É também em Londres que Darwin desenha a primeira árvore evolutiva, pretendendo representar as ligações de parentesco existente entre as espécies. Apenas vinte anos e incansáveis estudos e experiências mais tarde, é que este cientista vê os seus estudos editados na obra A Origem das Espécies
Ao longo da exposição, observamos ainda espécies vivas, como piranhas, tartarugas e suricatas, que simbolizavam a diversidade animal que Darwin encontrou durante a viagem que realizou.
A exposição termina com uma ponte para o século XX, com uma alusão às principais figuras que deram corpo à síntese neodarwinista que vigora hoje e que casa o mecanismo da selecção natural com as leis da genética de Mendel. A referência à descoberta do ADN é ilustrada por uma enorme escada da qual se sai por um escorrega de RNA.
Com esta exposição tivemos oportunidade de aprofundar os conteúdos programáticos da disciplina de biologia pois foi relativamente fácil de compreender o rumo que Darwin seguiu durante a sua vida. Esta exposição, para além dos elementos estáticos e dos animais vivos, tinha também uma sala onde se podia visualizar um filme sobre Charles Darwin. Este filme era a representação da vida de Darwin e explicava a história das suas mais importantes teorias o que facilitou a compreensão da generalidade da exposição.
Terminada a visita a esta exposição, voltamos para o autocarro e regressamos a Arcos de Valdevez, onde chegámos por volta da meia noite.
domingo, 5 de abril de 2009
2-1

É sede de um município com 445,89 km² de área e 24 466 habitantes (2006), subdividido em 51 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Monção, a nordeste por Melgaço, a leste pela Espanha, a sul por Ponte da Barca, a sudoeste e a oeste por Ponte de Lima e a oeste por Paredes de Coura.
O ponto mais alto do concelho situa-se na Pedrada, com a altitude de 1416 metros, na Serra da Peneda.